sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Surfe no Brasil

O Surfe no Brasil

O surfe apareceu pela primeira vez no Brasil em Santos, SP, na década de 30. Os paulistas Osmar Gonçalves, Silvio Malzoni, João Roberto Suplicy Haffers, o Juá e Thomas Rittscher Júnior são considerados os pioneiros do esporte no Brasil.

Em 1938, baseados numa reportagem publicada na revista americana Popular Mechanics, de julho de 1937, sobre a construção de uma prancha por um visionário chamado Tom Blake, idealizaram, com a ajuda do engenheiro naval Julio Putz, uma prancha de madeira oca, medindo 3,6m e pesando 80 KG. Dizem que por mais de sete anos Osmar surfou com esse pranchão na praia do Gonzaga, em Santos.

Mais tarde, na década de 40, durante a 2ªGuerra Mundial, o Rio de Janeiro serviu de base para os aliados. Quando os soldados americanos desembarcaram trouxeram em sua bagagem pés de pato, máscaras de mergulhos e pranchas de surfe. Acredita-se que, nessa época, nossas praias começaram a ser utilizadas como local de lazer e entretenimento, e não apenas freqüentadas por pessoas que buscavam em suas águas cuidados para a saúde.
No entanto, consta que o surfe brasileiro nasceu mesmo na praia do Arpoador. As ondas eram surfadas em pequenas pranchas de madeira, de joelhos ou de bruços, no estilo bodyboard.
Na década seguinte, nos anos 50, o Rio já tinha alguns surfistas como Arduíno Colassanti, Paulo Preguiça e Luiz Bisão para citar alguns. Eles usavam pranchas de madeira e sem quilhas, conhecidas como “portas de igreja” e já surfavam em pé nas pranchas.
A partir dos anos 60 o surfe mundial foi evoluindo. Apareceram as primeiras pranchas de fibra de vidro, mais leves e rápidas.
Em 1964 o surfista australiano Peter Troy, que passou anos viajando e surfando pelo mundo, chegou ao Brasil, e veio dar pelos lados do Rio de Janeiro. Em Copacabana encontrou-se por acaso com um surfista chamado Russel Coffin que tinha trazido dos EUA uma prancha de fibra de vidro, marca Bing, com 9 pés e 6 polegadas de altura. Pediu-a emprestado para surfar umas ondas nas esquerdas do Arpoador. Ao sair do mar, dezenas de pessoas que apreciavam suas manobras aplaudiram entusiasmadas. Sem saber, Peter Troy tinha acabado de plantar uma semente do verdadeiro surfe em terras brasileiras. Segundo alguns, diante de sua performance, o surfe no Brasil pode ser dividido em antes e após a estada do grande surfista australiano pelas praias cariocas. Sua história de vida mescla-se perfeitamente à história do surfe em nosso país.

O então governador do Rio de Janeiro na época, Negrão de Lima, doou uma área na praia do Arpoador para a prática do esporte, reconhecendo, assim, oficialmente o surfe com esporte. Até então, os surfistas eram perseguidos pela polícia e suas pranchas aprendidas, uma vez que surfar era proibido. Surgiram histórias de perseguições, remadas para alto-mar, fugidas heróicas da polícia militar e do exército.
O surfe foi ganhando novos adeptos e desenvolveu-se rapidamente, uma vez que cresceu o interesse por esse esporte. Com a chegada de pranchas estrangeiras trazidas por turistas, o surfe brasileiro ganhou novo impulso e, finalmente em 15 de junho de 1965 foi criada a Confederação Carioca de Surfe.
O Brasil teve seu Peter Troy na figura de Carlos Eduardo Soares, o Penho, considerado por muitos o primeiro surfista verdadeiramente brasileiro. Quem teve o privilégio de conhecê-lo sabe que sua relação com o surfe extrapolou os limites convencionais. Em 1968, foi o primeiro a pisar em terras havaianas, onde disputou importantes campeonatos, além de ter surfado ondas em vários países. Conheceu o pai do surfe tal como o conhecemos hoje, o havaiano Duke Kahanamoku.

Ainda em 1968, o Brasil começou a fazer parte da cultura do surfe e acompanhou as transformações pelas quais o esporte passava. As minimodels tornaram-se freqüentes não só nas praias cariocas mais também em outros locais do litoral brasileiro. Nesse contexto, uma outra geração do surfe foi se formando: no Rio, Rico de Souza, Maraca, Marreco, Bocão, Betão, Betinho, Fedora entre outros. Em Santos, os irmãos Argento, Cocó, os irmãos Paioli, Cisco, Décio, a família Mansur, Cristhian e John Walters, para citar apenas alguns. No Sul, as famílias Johanpeter e Sefton.
Na década de 70, com a chegada da televisão, o surfe tornou-se um esporte muito conhecido e, a moda era shapear a própria prancha. O tubo era então considerado o ápice do surfe. Campeonatos surgiram não apenas na praia do Arpoador, RJ, mas também em Saquarema, RJ, Maresias e Ubatuba, SP.
Em 1972, o campeonato brasileiro de Ubatuba atraiu surfistas de todo o país e, deu início a uma revolução que introduziria o profissionalismo no surfe brasileiro.
Em 1976, na praia do Arpoador, aconteceu uma etapa do mundial de surfe, o Waimea 5000, vencida pelo carioca Pepe Lopes. Por causa dessa vitória ele foi convidado a participar das provas havaianas, realizadas no final daquele mesmo ano. Chegou na 6ªcolocação do Pipemasters, na praia de Pipeline, competindo com grandes surfistas de renome internacional.
A partir dos anos 80, o esporte começou a atrair investidores, movimentando uma economia considerável. Começava a ganhar destaque em todo o Brasil, com campeonatos pipocando nas praias de norte a sul do país. Marcas de surfwear movimentavam o mercado. Enfim, grandes empresas passaram a investir no esporte. O primeiro campeão brasileiro profissional de surfe foi Paulo Mattos, em 1987. Ele conquistou o título a partir do primeiro circuito nacional realizado pela recém-criada Associação Brasileira de Surf Profissional - ABRASP.
Na década de 90, com o emprego de fibras mais leves e resistentes, o peso das pranchas tornou-se ainda menor, dando mais velocidade aos surfistas e possibilitando grandes manobras.
Nos primeiros anos da década de 90, o Brasil entrou definitivamente para a elite do surfe mundial com os atletas Flávio Padaratz e Fábio Gouveia que abriram caminho para a entrada de outros surfistas e, colocaram o Brasil entre as potências mundiais do esporte junto aos EUA e Austrália. A primeira escolinha de surfe no Brasil foi criada pelo surfista Rico de Souza em 1997, no RJ.

O surfe do século XXI tem se mostrado criativo e ousado, com manobras incríveis, surfistas cada vez mais bem preparados e ótimos campeonatos. O esporte possui adeptos nos quatro cantos do país e pelo mundo afora.
Segundo uma pesquisa encomendada pela Ed. Abril, o Brasil conta atualmente com aproximadamente 2 milhões de surfistas, além de vários admiradores, sendo considerado um dos esportes mais desenvolvidos no país. Mais de 600 empresas movimentam perto de 1,2 bilhões de reais/ano.
Repleto de gírias próprias, modismos e neologismos, difunde conceitos, lança moda, além de ter dado origem a outros esportes como o windsurf, o skate e o sandboard – surfe nas dunas. É considerado um dos esportes mais radicais. Os aficionados pelo esporte tem o surfe como um “vício”, uma terapia para o corpo e para a mente.
Podemos dizer que surfar é também criar um estilo próprio de viver, se vestir e se comunicar.

Circuito tem cinco etapas em 2010

Ranking santista

Circuito tem cinco etapas em 2010

Por Gustavo Serejo em 07/01/10 19:08 GMT-02:00


Quebra Mar de Santos sedia Hot Water 2010. Foto: Aleko Stergiou.

Sucesso em 2009, o Hot Water de Surf está garantindo em 2010 e com novidades. O circuito válido pelo ranking santista e com o patrocínio da Rip Curl passa a contar com cinco etapas (no ano passado foram três) e mais duas categorias, Open e Grand Master - para surfistas de 46 anos em diante. O formato de disputas será mantido, com todas as baterias num único dia e período de espera pelas melhores ondas, sempre no Quebra-Mar.



A abertura do calendário acontece em janeiro, coincidindo com as programações da Semana Municipal do Surf, que tem inicio no dia 21, quando se comemora o Dia do Surf, criado pela Lei Municipal nº 2.172, de autoria do vereador Fábio Nunes, o Fabião.



“Também estaremos celebrando o aniversário da cidade, comemorado no dia 26”, destaca Ségio Gadelha, um dos diretores do evento.



No total, serão nove categorias e, além da Open e da Grand Master, estarão em ação a Júnior (até 18 anos), Mirim (no máximo 16), Iniciantes (no máximo 14 anos), Feminina, Master (36 anos em diante), Longboard (pranchões) e Stand-up (surf com remos), que teve grande receptividade em sua estréia em 2009.



As inscrições – exclusiva para surfistas da cidade (que precisam apresentar comprovante de residência) - estarão abertas a partir do dia 4, na Hot Water do Praiamar Shopping, no bairro da Aparecida, em Santos.



“Na véspera da etapa, abriremos um posto de inscrição para atletas de outras cidades no Quebra-Mar, das 16 às 17 horas”, falou Gadelha.



A taxa é de R$ 50 por categoria, sendo que membros da Associação Santos de Surf pagam R$ 40. A filiação para 2010 custa R$ 30 e pode ser feita junto à inscrição. A confirmação oficial da realização de cada etapa será feita com 48 horas de antecedência pelo site Fpsurf.com.br. Os atletas poderão se cadastrar no mailing da Associação, acessando o e-mail contato@santossurf.com.br.

2009 -



O Hot Water de Surf é uma realização da Associação Santos de Surf, com o patrocínio da Rip Curl, apoio da Prefeitura Municipal de Santos e a supervisão da Federação Paulista de Surf.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009